
Bem-vindas(os).
Meu nome é Ronaldo Manzi Filho. Sou professor, psicanalista e artista.
Um colega certa vez me disse que eu tinha um espírito renascentista. Gostei do adjetivo.
Quando olho para meu trabalho acadêmico e artístico, vejo uma gama de horizontes que às vezes se tocam; outras, apenas apontam para uma possível convergência no infinito.
Cores, formas, texturas. Trabalho com as mãos. Trabalho com elas na escrita. Com elas também pinto.
Pinto com as mãos mesmas, ou com lápis, pincel, carvão, café — e, claro, com tintas: à base d’água, acrílicas, óleo — tudo o que estiver ao alcance delas. É com elas, com as mãos, que o homem grafou pela primeira vez as paredes de uma caverna – de forma positiva, como é denominada quando pressionadas a uma superfície; e de forma negativa quando se usa de uma pigmentação com a boca para soprá-la e dar contorno às mãos. Certamente uma mudança em relação ao uso das mãos. Trata-se de um exercício novo; uma criação.
Gosto de pintar as coisas simples da vida, do mundo. Muitas vezes esquecemos de ver a beleza das coisas — de qualquer coisa. Merleau-Ponty escreveu que a filosofia é uma forma de reaprender a ver o mundo; nesse sentido, uma história narrada pode nos ensinar tanto quanto e com a mesma profundidade que um tratado de filosofia.
Um animal, uma criança brincando, um pássaro, uma cadeira encostada, uma moça passando, um casal se beijando, uma flor, pessoas dançando, celebrando, um inseto, um pedaço de pau — tudo aquilo que costumamos colocar de lado, que passamos sem perceber, é matéria para a pintura, assim como é matéria para a poesia em Manuel de Barros.
Buscar fazer ver que ainda há beleza em meio a um mundo que nos entorpece em sombras de dores é, muitas vezes, uma forma de resistência.
As cores, as formas, os sonhos, as fantasias, o suor, os risos, as danças, a música que me atravessa, as lágrimas que compõem o papel — assim como o ato de escrever estas palavras — vêm de um mesmo estofo que pulsa e quis advir.
Sou um mero servidor que se vale das mãos ao que pulsa